quarta-feira, 26 de março de 2008

"A oposição pensa que vai eleger o sucessor, pode tirar o cavalinho da chuva",diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 26, no bairro do Jordão, no Recife (PE), que fará o seu sucessor. Em um discurso inflamado, Lula atacou a oposição, que acusa o seu governo de usar irregularmente o cartão corporativo. "A oposição pensa que vai eleger o sucessor. Pode tirar o cavalinho da chuva, porque nós vamos fazer a sucessão, para continuar governando este País", afirmou.
Lula ponderou que a eleição ainda está muito longe, mas que os adversários não vão atrapalhar o seu projeto de desenvolvimento. "Eles vão ter que lutar muito e trabalhar muito. Apenas fazendo discurso não vão nos derrotar, não", afirmou. "É preciso trabalhar mais do que nós e dizer ao povo o que fizeram antes de nós", acrescentou.Lula voltou a dizer que é preciso comparar o governo dele com o anterior e avisou que até o final do seu mandato pretende voltar outras vezes a Pernambuco e visitar todos os estados brasileiros.
"Meus adversários vão dizer: está em campanha, está em campanha. Eu não estou em campanha, porque nem posso concorrer"."Se eles acham que eu vou ficar lá em Brasília ouvindo discursos, eles podem fazer quantos discursos quiserem, porque eu vou para a rua ouvir o discurso do povo, que eu ganho muito mais",disse Lula.
Fonte:Estadão

Rex:
Em Pernambuco, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, endossou, claro, a criação do tal Conselho Sul-Americano de Defesa — aquele, vocês sabem, de que Nelson Jobim andou fazendo praça em visita aos Estados Unidos. Para o coronel, a região está realizando o sonho de Simón Bolívar. Segundo ele, é o jeito de a região enfrentar o, lá vai, imperialismo...
Publiquei neste bloguinho o editorial de hoje do Estadão sobre esta besteira de conselho, que, como sabem, eu já havia criticado aqui. Leitores me lembram que a Folha também opinou ontem a respeito. É fato. Um dado que está sendo ignorado é que a criação de uma força de defesa no continente é uma das pautas do Foro de São Paulo, a entidade criada por Lula e Fidel Castro e que reúne partidos de esquerda da América Latina — entre elas, as Farc. E isso também já se disse aqui. Segue editorial da Folha.
Mau conselho
Soa algo inoportuna a idéia do governo brasileiro de criar o Conselho Sul-Americano de Defesa.Em termos teóricos, faria sentido ampliar ainda mais a colaboração entre os países da região para que possam, como sugeriu o ministro Nelson Jobim, "articular a elaboração de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal, formação e treinamento de militares, realização de exercícios militares conjuntos, participação conjunta em missões de paz das Nações Unidas, integração de bases industriais de defesa".Tudo isso, porém, já pode ser feito por mecanismos hemisféricos existentes, como a Junta Interamericana de Defesa, o Colégio Interamericano de Defesa, a Conferência de Ministros da Defesa, a Conferência dos Exércitos Americanos, a Conferência Naval Interamericana e o Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas.
Diante de tantas possibilidades, a iniciativa brasileira não passa de uma maldisfarçada tentativa de excluir os EUA. Essa é uma atitude que, na melhor das hipóteses, não leva a lugar nenhum. Interessa à diplomacia brasileira mitigar a tendência natural de Washington ao intervencionismo. Mas para tanto não é necessário criar um clube exclusivo na área militar.
Na verdade, é quase ridículo falar em defesa regional sem incluir os EUA, a única superpotência do planeta. Fazê-lo é condenar o novo Conselho à irrelevância. Ademais, é extemporâneo incentivar a colaboração entre forças militares quando presidentes da região trocam acusações e chegaram a mobilizar tropas uns contra os outros.Antes de alçar vôos maiores, é preciso que os países da América do Sul superem o personalismo de alguns de seus líderes e se mostrem capazes de fomentar as relações que mais importam, as econômicas, num ambiente pacífico e estável.