Eis uma boa palavra para definir certo jornalismo que resolveu transformar a operação de compra da Brasil Telecom pela Telemar num ato de resistência nacionalista. Segundo a versão oficial ditada por Franklin Martins e pressurosamente espalhada por áulicos, anões, mascates e jornalistas “dualéticos”, Lula, o Numinoso, quer criar uma grande empresa nacional para competir com as gigantes estrangeiras — caso contrário, as brasileiras seriam engolidas. Por isso, mobilizou o governo para dar suporte à operação. Com um detalhe: nunca antes nestepaiz se fez um negócio bilionário que depende de uma mudança ad hoc da lei: se Lula não alterar o decreto da Lei das Outorgas, nada feito. Mas ele prometeu mudar.
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Cada um vende a sua participação numa empresa a quem quiser, de acordo com a legislação. É do capitalismo. Mas o que se está fazendo, no caso, é um megacartório. Somos informados de que o dinheiro do BNDES só sairá se for um negócio entre A e B; somos informados de que os fundos de pensão só aceitam a operação se C e D não participarem. Se a Telemar, a sócia de Lulinha, quiser comprar a Brasil Telecom, o governo oferece facilidades, mas, se for a Telefonica, nem pensar, é isso?